sábado, 26 de junho de 2010

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago morreu. Perdemos um gênio da literatura

A morte do escritor português José Saramago entristeceu a literatura e me fez chorar. Leitora de seus romances, a cada ano ganhava de presente um de seus livros - minha irmã dizia que não tinha como errar o presente porque eu sempre gostava. O último foi Caim, seu livro mais irônico, na minha opinião.
Saramago contribuiu muito para minha vida por ter me feito pensar, refletir sobre o óbvio. O que é muito difícil quando já estamos integrados ao sistema - seja qual for o sistema.
O Evangelho segundo Jesus Cristo foi uma revelação. Ensaio sobre a cegueira (depois transformado em filme) foi um momento de extrema tensão sobre os instintos mais primitivos dos homens. Ensaio sobre a lucidez (que releio atualmente) é uma reflexão contundente sobre a democracia, o voto, o sistema eleitoral - uma oportunidade de pensar sobre as eleições que se aproximam.
Talvez por ser o único escritor da língua portuguesa a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, Saramago é muito relevante para o Brasil. Tenho certeza que muitos leitores brasileiros seus sentiram a perda do dia de hoje.
Aproveito e recomendo a leitura do texto de Vanessa Rodrigues "Um Saramago hormonal". Um dos melhores artigos que li sobre o escritor.

Algumas frases do imortal Saramago

"As misérias do mundo estão aí, e só há dois modos de reagir diante delas: ou entender que não se tem a culpa e, portanto, encolher os ombros e dizer que não está nas suas mãos remediá-lo — e isto é certo —, ou, melhor, assumir que, ainda quando não está nas nossas mãos resolvê-lo, devemos comportar-nos como se assim fosse."

“O hu­mor, eu pre­fe­ri­ria di­zer a iro­nia, é, so­bre­tu­do, um modo de ver. É di­fí­cil, se­não im­pos­sí­vel, um acto hu­ma­no em que não se en­con­tre uma par­te de ri­dí­cu­lo, de ca­ri­ca­to.”

"O difícil não é viver com as pessoas, o difícil é compreendê-las."

 "Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro."

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

"É dessa massa que somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade." 

"Dentro de nós há uma coisa sem nome. Esta coisa é o que somos."

"Nenhuma salvação é suficiente, qualquer condenação é definitiva."

"Não sou pessimista, o mundo que é péssimo."

"Porque nada perde ou repete, porque tudo cria e renova"

terça-feira, 15 de junho de 2010

Encapuzados

Enquanto a Secretaria de Justiça de Rondônia diz que está se tornando uma referência nacional no quesito "intervenção rápida em presídios", o Departamento Penitenciário Nacional (Depen) condena os "encapuzados" que atuam nestas intervenções.
A notícia é do Correio Braziliense. O diretor do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Airton Michels, considera “condenável” a prática de agentes encapuzados atuando dentro dos presídios e enfatiza que "o agente público tem que ser passível de identificação".
Episódios como Carandiru e a própria chacina do Urso Branco talvez sirvam para ao menos refletir sobre isto. Se um encapuzado entra no presídio e comete atrocidades, como responsabilizá-lo?


Urso Branco novamente
Em reportagem divulgada ontem, o Correio Braziliense informou que no Urso Branco, de 27 relatos de maus-tratos, um terço envolvia agentes anônimos (encapuzados). A reportagem diz: No caso de Rondônia, a Secretaria de Justiça, responsável pela área prisional, simplesmente não respondeu, apesar dos insistentes contatos da reportagem por meio da assessoria de imprensa a respeito do grupo que lá também se denomina GIR.

domingo, 13 de junho de 2010

Os 5%

Comentei no twitter que percebia que são sempre os mesmos que participam dos cursos que são oferecidos - mesmo gratuitamente (o que significa que não seria uma questão monetária). A tuiteira @alinecastrool respondeu que apenas 5% das pessoas fazem diferença no mundo e que são estas pessoas que provavelmente participam dos cursos. Em seguida ela me mandou um texto sobre o assunto. Recomendo a leitura que está no Blog da Aline Lingua Portuguesa.

terça-feira, 8 de junho de 2010

“Pode vigiar o carro aí, doutor?”

Notícia do Correio Braziliense de hoje fala de um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados que prevê prisão de flanelinhas não autorizados nas ruas do país.
Em alguns casos, a Justiça considera que há extorção.A matéria cita um caso de Rondônia.
Diz a reportagem:
Na 3ª Vara Criminal de Porto Velho (RO), o juiz Daniel Ribeiro Lagos julgou caso em que um guardador de carro foi acusado pela vítima — um rapaz que se recusou a pagar R$ 10 em porta de boate para ter o veículo “vigiado” — de agressão corporal. O flanelinha jogou uma pedra no carro e atingiu o motorista. A polícia, como acontece na maioria dos episódios envolvendo esses guardadores, levou o caso para um juizado especial e registrou a ocorrência como lesão corporal, mas o promotor decidiu enquadrar o crime como extorsão. “O flanelinha é um flagelo nacional. Eles não prestam serviço nenhum, estão cobrando para não danificar seu carro. Caberia à Polícia Militar e às prefeituras não permitir a prática. Legalizar por quê? Vai ter o serviço prestado? O Estado pega essas coisas e joga no colo do cidadão. Quando não tem mais nenhum bastião de defesa, jogam para Judiciário”, decretou o juiz em sua sentença. 

Ou seja, não tem solução.